domingo, 15 de abril de 2007

Poema sem pretenção

A página em branco
é apenas um sinal.
A dor-palavra é,
às vezes, não-poética.

Ela não se encaixa em sonetos,
nem se sente a vontade em versos livres,
fugir às regras também não é o bastante.
Ela apenas é,
apenas está.

Crônicas da Modernidade - Parte 1

Aquele cavaleiro, ajoelhado, apoiava-se em sua espada e olhava para o sangue em sua mão esquerda, não acreditando na possibilidade de ter sido ferido. Ao seu redor, o barulho agudo de milhares de espadas em combate, o cheiro mórbido dos cadáveres e os gritos guerreiros dos soldados. Vento só havia quando espadas cortavam o ar próximo ao seu corpo. Dois exércitos. Mais de cem mil combatentes.
Não importava agora mais nada. Aquela guerra tinha ido longe demais. Ergueu-se bravamente, lutou com seus inimigos mais próximos, olhou ao redor, deu um bravo urro de guerra que foi rapidamente respondido pelos seus soldados, avistou o general dos inimigos, correu em direção ao seu arquirival em pleno campo de batalha, matou dúzias de homens em seu caminho e começou o duelo com o negro general desferindo-lhe um golpe com todo o seu impulso, velocidade e força.
Havia nos olhos do cavaleiro uma raiva desmedida, mas era aquela raiva quase que justificável, de quando o fraco luta contra o forte, o bonzinho luta contra o malvado por algum motivo maior, para o triunfo do bem moral. Já nos olhos do general negro se via a raiva causada pelo ódio, pela fúria, pela dor, marca de uma pessoa transtornada e possuída totalmente pelo mal. Eles entreolhavam-se.
No golpe seguinte e no outro deu-se início uma batalha jamais vista entre os mortais. Cada golpe de ambos os lados partiriam montanhas, rasgariam o céu, abririam fendas gigantescas no fundo do oceanos. E ambos defendiam milagrosamente esses ataques com seus corpos, suas espadas e esquivando-se sagasticamente pelas frações de segundo e milímetros de espaço que as lâminas de suas espadas permitiam-lhes movimentar.
Mas assim como o mar bate contra o rochedo, eles estavam se desgastando e a cada golpe, a cada movimento eles se tornavam mais frágeis e vulneráveis. Um golpe ferira o braço do cavaleiro. Um chute o fez ajoelhar. Tudo estava perdido, não havia mais esperanças para o bem.
Mas, no momento em que o general negro mataria o cavaleiro, algo surpreendente aconteceu. Talvez com a força que os homens possuem, mas que só é manifestada nos momentos mais críticos e desesperadores, o cavaleiro desferiu com as duas mãos em sua espada um golpe tão brutal contra a espada de seu inimigo, que, não só tirou esta da trajetória de cortar sua cabeça como também a jogou longe dos dois. As trevas agora davam lugar a luz. As nuvens negras já não continham mais os raios solares. A esperança voltou a sorrir.
Quando o cavaleiro armou seu golpe heróico, triunfal, que o faria entrar para a história, que o tornaria imortal, eu desliguei a tv. Eu tinha acabado de acordar e aquela monstruosidade épica diante dos meus olhos já estava me cansando, embora me tenha fascinado. Mas vamos com calma, era apenas o aurorear de um dia, de um feriado para ser mais exato, e além do mais, eu já sabia como que ia, ou deveria, acabar a história mesmo... O melhor a fazer foi ir à cozinha tomarum belo café da manhã.

domingo, 8 de abril de 2007

Mistérios da vida - Parte 1

Porque a comunicação humana é tão falha?

Não sei se já aconteceu com todos vocês, mas acontece muito comigo. Eu presencio bastantes casos em que as palavras não são sufientes para expressar uma determinada vontade ou desejo.
Às vezes queremos agradar uma pessoa fazendo um elogio, simplesmente comentando um fato ou brincando e acabamos ofendendo a pessoa ou sentimos que algo de estranho aconteceu pois a pessoa parece não ter gostado, etc. A impressão que passa é que as palavras não carregam nossos sentimentos de bem querer para outras pessoas de modo tão simples e rápido como pensávamos.
Em alguns casos é tão difícil expressar um sentimento, uma explicação profunda para uma ação que é preciso escrever um livro de 600, 1000 ou 2000 páginas para passar ao próximo aquilo que se sentia por dentro. E não é á toa que não existe definições para amor, morte, alegria, tristeza, felicidade, etc. Às vezes nem um simples "eu te amo" é suficiente.
Estaria nesse mistério da vida a explicação de porque tantas pessoas que se amam tanto brigam, desentendem-se e separam-se? Será que se essas pessoas falassem com o coração e não com a boca através das palavras as coisas seriam diferentes? Não sei bem ao certo...
Renanto Russo disse:

Brigar para que se é sem querer,
Quem é que vai nos proteger
Será que vamos ter que responder
Por uns erros a mais
Eu e você...

Talvez seja tudo sem querer mesmo. Familiares, casais, amigos que se amam, inocentemente tropeçam nas palavras. Talvez o mundo esteja como está sem querer. Aprender a lidar com as palavras requer disciplina, ou seja, requer conhecimento e controle interno do indivíduo. Non é una cosa facile, não é de um dia para outro.
A comunicação humana é um grande mistério. A história da torre de Babel nos conta que os homens queriam construir uma torre que alcançasse o céu e como castigo Deus puniu os homens fazendo com que eles falassem dversas línguas e isso os atrapalhou e ocasionou a queda da torre de Babel. Segundo a passagem bíblica, Deus fez com que eles falassem diversas línguas justamente para se desentenderem...
Vingança de Deus ou não, ainda acho a idéia do sem querer mais importante apra nossas vidas, porque ela está relacionada com o perdão. A história da torre de Babel, assim como tudo na bíblia, é uma metáfora para tentar explicar algo que as palavras não conseguem explicar e, assim como toda metáfora, ela é plausível de inúmeras interpretações.
Concluindo, acho que se quando olhassemos para uma pessoa, pudessemos ver seu coração, não seria necessário palavras, nem outro tipo de comunicação. O fato de não enxergamos os "corações" das pessoas tem um motivo e esse motivo é um dos mistérios da vida. Porque é assim? Eu tenho uma teoria. E vocês?

Ouça quem tem coragem de ouvir,
Amanheceu o pensamento,
Que vai mudar o mundo
Com seus moinhos de vento...

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Crônicas de uma noite inóspita

As verdades escorrem
desse meu mísero ser.
Sinto-as por um segundo
Apenas
Pois logo se põem a correr,
Uma por uma.

E, assim, do mesmo modo que
vem vão...
E resta apenas o fluxo inconstante,
com essa inquietude constante,
da busca do pensamento
desse algo o-que-não-sei.

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Sobre uma noite artropodística

Quando uma barata te tira o sono,
Quando se mata três aranhas
quando se quer matar uma barata,
Quando formigas controlam as paredes ao redor da sua cama,
dá até vontade de arrumar o quarto...

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A inquietação é divina,
o sossego é terreno,
a resposta é grande,
o problema é pequeno!

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O sono já pede licença,
mas as perguntas continuam...
A confusão não tem limites,
e a inconstância continua.

Basta apenas uma resposta
que englobe todas as perguntas,
As respostas existem,
mas hoje insistem em não sair.

Do mesmo modo
a barata não sai de trás do meu armário,
e acho que as formigas foram dormir.
Ah! Mas as aranhas...

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A noite toma seu rumo,
o que está longe de acontecer com
meus pensamentos.
Pelo menos agora o sono
já não parece se importar
com a companhia indesejável...
Era tudo o que eu queria!
Boa noite!